Contact Us

Use o formulário à direita para nos contactar.


São Paulo

The Coffee Traveler by Ensei Neto

SENSORIAL

Quando o café e o bourbon whiskey se encontram

Ensei Neto

 The Henry-Louis: um autêntico whiskey barrel coffee

The Henry-Louis: um autêntico whiskey barrel coffee

O Bourbon Whiskey é a bebida destilada mais emblemática dos Estados Unidos, tendo suas principais marcas alcançado projeção em todo o mundo. Produzido a partir de uma mescla de cereais onde o milho é predominante (no mínimo 51%), depois de fermentado e destilado segue para os clássicos barris de carvalho americano de primeiro uso, onde permanece por pelo menos 2 anos para receber o nome de “Straight Bourbon Whiskey”.
Mel, caramelo, discreto defumado e uma nota indefectível de baunilha fazem o perfil sensorial dessa bebida.
O Estado de Kentucky concentra a maior parte da produção do Bourbon, nome do condado onde se originou, com rótulos como Jim Beam, Marker’s Mak, Wild Turkey e Woodford Reserve, por exemplo. Do Tenessee sai o American Whiskey mais conhecido mundo afora, o Jack Daniel’s.     

 A extração de um whisky barrel coffee tem alguns segredos para garantir uma incrível experiência sensorial!

A extração de um whisky barrel coffee tem alguns segredos para garantir uma incrível experiência sensorial!

Árvore típica de clima temperado, o carvalho é cultivado na Europa, onde o francês é destaque, assim como nos Estados Unidos.
Ah, sim, como todo bom produto da Natureza, essa árvore tem resultados diferentes em sua madeira em cada local. O carvalho francês tem fibras mais fechadas em relação ao que cresce na América do Norte; isto explica o menor tempo de descanso num barril de carvalho americano em relação ao europeu para se obter resultado sensorial similar.
Uma das mais interessantes características do carvalho tostado é o fato de, ao reagir com bebidas alcoólicas, produzir a molécula da vanilina, que dá o sabor da baunilha à bebida. A depender da técnica de tostagem, um elegante toque defumado pode ser adicionado como bônus!

De uns anos para cá, alguns coffee lovers norte-americanos muito geeks, ao estilo “easy rider”, começaram a fazer experimentos com sementes cruas de café armazenadas em barris de bourbon whiskey. Isso mesmo!
São pessoas que queriam combinar o sabor do bourbon whiskey a um belo café, num resultado que fica surpreendente, chegando a emocionar!
Esse é um movimento chamado de Whiskey Barrel Coffee. 

 Barris de carvalho

Barris de carvalho

A semente de café deve ter teor de umidade para armazenagem entre 10,5% e 11,0% m/m. Com essa quantidade do que é também conhecida como “água livre”, a semente entra em processo de quase hibernação, com um metabolismo bastante lento. Por outro lado, o barril que armazena o bourbon whiskey tem porosidade que faz com que uma parte do inicialmente Moonshine, que é o nome da bebida assim que sai do alambique (equivalente à nossa “cachaça branca”), fique retida. Estima-se que essa retenção fique entre 8% e 10% do volume inicial armazenado.
Como parte do processo oficial do bourbon whiskey, uma vez utilizado, o barril é descartado. Aproveitando-se disso, esses “whiskey barrel coffee’s lovers” começaram a colocar as sementes de café e... então, viram que o resultado era muito bom!

As sementes ficam intumescidas pela absorção das substâncias que são bastante solúveis em água, migrando das porosas paredes do carvalho carbonizado por osmose. Notas de aromas sofisticadas de um belo bourbon whiskey acrescentam nova personalidade ao café!
A destilaria Jack Daniels já havia lançado o seu café em 2012, cuja embalagem segue a clássica estampa negra ostentando o “Old Nº 7”, causando muito burburinho entre os drinkers...

 Luis Laimer, o Louis do Henry-Louis: guri irado...

Luis Laimer, o Louis do Henry-Louis: guri irado...

No Brasil, o primeiro pessoal a produzir um whiskey coffee é da gaúcha Henry-Louis Specialty Coffee, onde o Luis Fernando Laimer é o geek de plantão e que cientificamente procurou desenvolver esse produto.
Eles adquiriram barris de bourbon e testaram diversos lotes de café tanto no armazenamento quanto para observar o comportamento na torra. Seu primeiro lote comercial foi produzido com café do Cerrado Mineiro e por onde seu aroma foi sentido, criou legião de fãs!
Obviamente o etanol evapora no processo de torra, porém as famílias aromáticas típicas de um genuíno bourbon whiskey permanecem, garantindo uma experiência sensorial muito bacana!

Para os interessados, este é o endereço: www.henry-louis.com.